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A Iniciativa

27/8/2015

Programa de Estímulo à Criatividade na Educação Básica

Objetivo: Criar as bases para uma política pública de fomento à inovação e criatividade na educação básica

Objetivos Específicos:

  1. Estabelecer parâmetros e referenciais em inovação e criatividade na educação básica.
  2. Conhecer a extensão, a distribuição geográfica e o perfil da inovação e criatividade na educação básica brasileira.
  3. Fortalecer as organizações educativas inovadoras e criativas.
  4. Ampliar o impacto das experiências inovadoras relevantes para além de seu polo inicial.
  5. Criar, ampliar e qualificar a demanda social por educação inovadora e criativa.
  6. Promover a formação de educadores abertos e qualificados para a inovação e criatividade.
  7. Promover a reorientação das políticas públicas de educação básica a partir do referencial da criatividade e inovação.

Alguns processos sociais que se acentuaram nas últimas décadas implicam necessidade de mudanças significativas no campo da educação.

O primeiro destes processos é o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação que facilitam o autoaprendizado, a formação de comunidades de aprendizagem e de redes e a produção de conhecimento em diversos suportes a custos muito baixos. As pessoas de todas as idades, inclusive as crianças, têm hoje condições de realizar pesquisas sobre assuntos de seu interesse, discuti-los com outros mais velhos, mais jovens ou da mesma idade, pessoas que vivem próximas ou do outro lado do planeta. As pessoas também podem – e frequentemente o fazem - produzir artigos, revistas, sites, vídeos, fotografias, filmes, programas de rádio com bastante facilidade e atingir um público relativamente amplo. A forma do aluno passivo, sentado, durante horas por dia, em uma carteira, apenas recebendo aulas não dialoga com esta nova realidade do campo da comunicação.

A segunda transformação importante dos tempos atuais acontece no mundo do trabalho. Cada vez mais, as relações de trabalho são menos regulamentadas, as carreiras mais imprevisíveis e os caminhos profissionais multiplicam-se. Com expectativa de vida mais longa, a probabilidade é que as pessoas possam desenvolver mais de uma carreira; também a dinâmica da economia tem reduzido o tempo que as pessoas permanecem nas mesmas organizações. Além disso, as fronteiras entre as áreas de atuação estão cada vez mais fluídas. Especialistas precisam também ter conhecimento de trabalho em equipe e estratégias de comunicação, engenharias se confundem com campos da administração, pesquisas científicas precisam dialogar cada vez mais com a ética, novos campos de atuação são criados conectando saberes e competências diversas. A estrutura curricular baseada em disciplinas não dialoga com esta nova configuração do mundo do trabalho.

Por fim, crescem também as exigências de atitudes éticas, mais prudentes e criativas em relação ao planeta. O risco da ausência de futuro se tornou realidade e, diante disso, as novas gerações precisarão criar soluções novas para problemas que hoje ainda parecem insolúveis. Torna-se necessário que estas pessoas, para além de memorizar conteúdos, aprendam a pesquisar, criar e valorizar novas atitudes e comportamentos. Daí a importância da experimentação, do engajamento e da capacidade de desenvolver projetos.

Estes processos exigem uma transformação no atual modelo de educação que se centra basicamente na escola, instituição cuja forma se consolidou já há alguns séculos. A escola é o centro do processo educativo na nossa sociedade porque assim a compreendemos, tratando-se, muitas vezes, da única instituição referida quando se debate a educação.

No entanto, a educação não se reduz à escola, o processo educativo não é sinônimo de escolarização. As pessoas aprendem e se desenvolvem ao longo da vida toda, com as outras pessoas com quem convivem, nos lugares que frequentam, nas organizações de que participam.

Sendo, porém, a escola a instituição depositária do ideário educativo da sociedade, as mudanças no campo da educação devem necessariamente passar por ela. O modelo baseado na organização dos grupos seriados por idade, do tempo em aulas, do espaço em salas, corredores e pátios, e do conhecimento em disciplinas tem se mostrado insuficiente para os desafios do século XXI. Os recentes avanços da pesquisa no campo da cognição confirmam a hipótese de educadores segundo as quais, para aprender, o indivíduo precisa estar motivado, sensibilizado, interessado na informação que se lhe apresenta, e o modelo escolar não é voltado para motivar este interesse.

O reconhecimento da necessidade de criação de novas estratégias, metodologias e estruturas já consta da legislação brasileira: a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) de 1996 é bastante flexível e abre várias possibilidades para formas novas de organização da vida escolar. As Diretrizes Curriculares Nacionais (2013) preconizam que o percurso formativo de cada estudante deve ser aberto e contextualizado. O Plano Nacional da Educação (2014) propõe práticas pedagógicas inovadoras sempre que trata da qualidade da educação.

Apesar dessas novas possibilidades criadas pela legislação e da reconhecida insatisfação de professores, estudantes e pais, o modelo permanece, incorporando eventualmente modificações parciais. Além da resistência a mudanças, previsível em uma instituição tão consolidada, o conservadorismo predomina também pelo desconhecimento de alternativas.

As organizações não escolares que atuam com a infância e a adolescência, por vezes, têm tido mais espaço para a inovação, adotando princípios organizacionais que estimulam a autonomia, flexibilidade, participação, integração com a comunidade e o uso inteligente das novas tecnologias. No entanto, por serem identificadas como instituições de assistência social ou de lazer, não como instituições educativas, têm pouca influência sobre as redes de ensino, as escolas e a formulação de políticas públicas na área.

Mas há exceções importantes, com intervenções inovadoras que ocorrem em nível local, por iniciativa de escolas, comunidades ou outras organizações educativas. Estas inovações, se confluírem com políticas de governo, podem produzir a efetiva mudança necessária no campo da educação.

Por tudo isso, é preciso apoiar estas experiências para que superem seu isolamento, fragmentação, descontinuidade no tempo, baixa visibilidade e estrutura fortemente voluntarista. O caminho para isso é demonstrar a relevância destas experiências no que se refere à confiabilidade de seus métodos e aos resultados alcançados. Também é preciso possibilitar que estas inovações tenham impacto, criando pontes entre as comunidades envolvidas com a inovação e redes públicas de ensino bem como entre a produção acadêmica e a prática.

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