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Estímulo à Criatividade na Educação Básica - Entrevista com Maria Antonia Goulart

5/11/2015

Você conhece o Programa de Estímulo à Inovação e Criatividade para a educação básica? Como podemos incentivar a criatividade de nossos alunos?

Leia a entrevista que MARIA ANTONIA GOULART, membro do Grupo de Trabalho de Criatividade e Inovação do MEC, deu ao Rioeduca.

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RIOEDUCA: Quais são os objetivos do Programa de Estímulo à Criatividade na educação básica do MEC?

MARIA ANTONIA GOULART: O Programa do MEC de Estímulo à Criatividade tem como objetivo global criar as bases para uma política de fomento à inovação e à criatividade na educação básica. É comum ouvir especialistas, jornalistas e público em geral falar sobre a inadequação do atual modelo das escolas para a educação e os estudantes do século XXI. É fundamental que as escolas inovem em estratégias, gestão e recursos pedagógicos, formação dos educadores, articulação com outras organizações e políticas. Muitas escolas e organizações não governamentais têm inovado, mas muito pouco se sabe sobre a extensão dessa rede e de como experiências pontuais podem inspirar e apoiar a educação básica de forma mas ampla.

RIOEDUCA: Quais sentidos são trabalhados pelo MEC no programa Inovação e Criatividade?

MARIA ANTONIA GOULART: O programa propõe 5 sentidos para a inovação e a criatividade. São eles: gestão, currículo, ambiente, metodologia e intersetorialidade.

No sentido da gestão, busca experiências de corresponsabilização na construção e gestão do projeto político-pedagógico com ampla participação da comunidade escolar, incluindo os estudantes.

O campo do currículo solicita o trabalho para o desenvolvimento integral dos estudantes, o entendimento do papel da organização como produtora e disseminadora de conhecimento e cultura e a adoção de práticas de sustentabilidade. A escola não pode construir um currículo voltado para si mesma, mas sim focado nas necessidades e desejos dos seus estudantes e na promoção de transformações no seu entorno e no mundo. O currículo de uma organização inovadora e criativa, portanto, é o de atuar a partir da complexidade do mundo e dos seres humanos. É uma escola conectada ao mundo.

O sentido do ambiente pressupõe o reconhecimento do impacto do ambiente na aprendizagem. Práticas de colaboração e articulação de saberes acadêmicos e do território demandam não só uma ampliação do espaço da sala de aula e da própria escola mas, principalmente, uma reorganização desses espaços. A escolas e disposição do mobiliário em uma sala, os usos dos espaços coletivos e a possibilidade de aprender com o mundo exigem que a organização repense seu ambiente. Tão importante quando uma sala bem equipada é que todos se sintam confortáveis e acolhidos no espaço de aprendizagem. Algumas perguntas podem nos orientar nessa mudança: como preparamos o ambiente para que estudantes com deficiência possam participar das atividades? Como respeitamos a cultura local? E como nos preparamos para receber nossos educadores, nossos estudantes, suas famílias e a comunidade escolar para compartilharem o planejamento e gestão do nosso projeto político pedagógico? Ambiente é mais do que espaço físico, inclui clima escolar e reconhecimento da diversidade como oportunidade de crescimento individual e coletivo.

No que se refere à metodologia, o foco principal é garantir a participação efetiva dos estudantes e a construção de um percurso formativo personalizado. O projeto precisa considerar que as pessoas aprendem de forma diferente em ritmos diferentes. A possibilidade de dedicar mais tempo a uma aprendizagem ou de ter acesso a recursos variados é determinante para garantir que todos os estudantes aprendam.

A intersetorialidade é o reconhecimento de que as políticas setoriais não são capazes de responder às questões complexas e multidimensionais dos estudantes e seus contextos. É essencial pensar na ação articulada a de organizações e políticas nas áreas de saúde, assistência, cultura, esporte, meio ambiente, entre outras.

Esses cinco sentidos não são necessariamente desenvolvidos com a mesma intensidade e foco em todas as organizações. Portanto, não é necessário que haja inovação em todos eles para que a iniciativa seja reconhecida pelo programa. Mas é fundamental que a organização pense em todos eles quando planeja sua prática, processos e ações.

RIOEDUCA: Quem pode participar da Chamada Pública? Haverá certificações?

MARIA ANTONIA GOULART: Podem participar escolas públicas e privadas de educação básica; associações, organizações sociais e organizações da sociedade civil que atuam no campo da educação com crianças, adolescentes e jovens; e instituições educacionais comunitárias, filantrópicas e confessionais que atuem com crianças, adolescentes e jovens. As experiências reconhecidas pelo programa farão parte de uma rede de organizações reconhecida pelo MEC.

RIOEDUCA: Como a cidade do Rio de Janeiro pode contribuir para essa chamada?

MARIA ANTONIA GOULART: O município do Rio de Janeiro pode contribuir muito para esse movimento nacional. Há alguns anos, algumas iniciativas têm chamado a atenção de educadores de todo o Brasil e mesmo do exterior, como é o caso dos ginásios experimentais, por exemplo. Mas sabemos que há muitos outros casos de inovação que não ganham tanta visibilidade mas têm potencial de transformação igual ou superior a esses casos. O município de Rio é vanguarda em muitas áreas e não é diferente na educação. Levantamentos realizados pelos Ministérios da Educação e da Cultura identificaram diversos arranjos entre escolas e organizações culturais dos seus territórios que têm contribuído para mudanças no currículo e nas práticas pedagógicas. Precisamos dar visibilidade a todas essas inovações e participar do processo nacional de repensar a educação básica pelo viés da criatividade e da inovação.

RIOEDUCA: Onde os interessados podem obter mais informações sobre a chamada?

MARIA ANTONIA GOULART: O MEC criou um site para o programa: Criatividade e Inovação. Nele, vocês poderão ter mais informações sobre a iniciativa. Além disso, o grupo de trabalho no Rio de Janeiro está oferecendo plantões de esclarecimento de dúvidas por meio de uma das organizações parcerias, o MAIS - Movimento de Ação e Inovação Social. É possível agendar atendimentos pela página da organização no Facebook.

Membro do GT Nacional de Criatividade e Inovação (MEC), Coordenadora-geral do Movimento de Ação e Inovação Social - MAIS, Bacharel em Direito pela UNB. Experiência na área pública como secretária municipal de Nova Iguaçu/RJ, responsável pela concepção e implementação do Programa Intersetorial de educação integral “Bairro-Escola” de 2005 a 2010. Coautora do livro Caminhos da Educação Integral no Brasil (Editora Penso, 2012). Cofundadora e Coordenadora Geral do Movimento Down e do MAIS. Coordenadora no Brasil da iniciativa do Unicef do livro digital Acessível e participante do Comitê Gestor do Centro de Referências em Educação Integral.

 

fonte: http://www.rioeduca.net/blogViews.php?bid=16&id=5160

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